Os clubes signatários, que integram a Liga Portugal 2 Meu Super, vêm por este meio expressar a sua
profunda indignação e preocupação face ao que se assistiu na última Assembleia Geral da Liga
Portugal, que resultou - no entendimento da Mesa da Assembleia Geral - no chumbo da revalidação
da partilha do mecanismo de solidariedade da UEFA aos clubes da referida competição. A nossa
posição baseia-se nos seguintes pontos:
1. A Quebra de uma Expectativa Legítima
A distribuição destas verbas pelos clubes do segundo escalão acontece há mais de uma década. Na
época anterior, o entendimento inequívoco dos clubes da Segunda Liga (e também da grande
maioria da Primeira Liga) era que a decisão aprovada seria válida por três temporadas. Com base
nesta confiança e na estabilidade que se exige na gestão desportiva, estes valores foram
devidamente inscritos nos orçamentos dos clubes. O chumbo atual, ocorrido a meio da época, retira
abruptamente uma verba orçamentada, criando um desequilíbrio financeiro grave e inesperado nas
contas das nossas instituições.
2. Incoerência de Voto e Memória Curta
É com total incompreensão que assistimos à inversão de voto por parte de clubes que, na época
transata, votaram favoravelmente à partilha deste mecanismo. Mais se recorda que todos os clubes
que hoje votaram contra esta medida já militaram, no passado recente, na Segunda Liga.
Beneficiaram, por isso, da solidariedade que hoje negam aos atuais intervenientes, revelando uma
preocupação meramente conjuntural e desprovida de visão sistémica.
3. Um Golpe na União e na Formação
Num momento em que o futebol português se prepara para discutir temas estruturais — como a
centralização dos direitos televisivos e a revisão dos quadros competitivos — esta votação serve
apenas para dividir uma Liga que deveria trabalhar pela união. Além disso, esta decisão ataca
diretamente o coração do nosso futebol, a Formação. A não afetação destas verbas coloca em risco
direto as academias e escalões de formação que, em muitos casos, são geridos pelos Clubes e não
pelas SADs, dependendo criticamente destes fundos.
4. Um momento particularmente desafiante
Numa altura em que uma parte do país foi assolado por uma calamidade sem precedentes, com
consequências severas na população e em muitas colectividades, incluindo também clubes da Liga
Portugal 2, como é o caso da União de Leiria que ficou sem infraestruturas, é ainda mais grave esta
decisão que afeta diretamente a pirâmide do futebol nacional, sobretudo a sua base, em nada
prestigiando a indústria que deveria ser um exemplo e aqui, pelo contrário, está em contra-vapor ao
movimento solidário em que o país se encontra, a favor da Região Centro.
5. Reconhecimento e Apelo
Lamentamos que, apesar da maioria dos clubes profissionais em Portugal estar de acordo com a
partilha das verbas, seis instituições tenham votado em sentido contrário. Apesar de não ter sido
aprovado, não podemos deixar de reconhecer a postura exemplar e solidária dos 12 clubes da
Primeira Liga, que de uma forma altruísta votaram a favor. De forma especial, os clubes da Liga
Portugal 2 expressam ainda o seu público e profundo agradecimento ao Vitória SC e ao CF Estrela
da Amadora. Estes clubes, num gesto de nobreza e responsabilidade para com o ecossistema do
futebol, já se disponibilizaram a ceder a sua parte das verbas em prol dos clubes do escalão
secundário.
Apelamos, por fim, a que os restantes clubes que votaram favoravelmente possam seguir este
exemplo de solidariedade, minimizando os danos causados por uma decisão que consideramos
injusta e prejudicial ao futuro do futebol nacional.
Pela sustentabilidade e dignidade do futebol português.
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